SANDRO GOMES DE OLIVEIRA. Diretor do Centro de Educação Teológica e Evangelística Shekinah.

quarta-feira, 17 de julho de 2019

CINEASTA IRLANDÊS SURPREENDE SEU PAÍS - Reflexão




     Uma postura anti-israelense sempre agrada o público na maioria dos países. A Irlanda é um deles, já que a antiga relação do IRA com a OLP está profundamente arraigada na mente das pessoas. Mas, um cineasta irlandês deu uma surpreendente meia volta nesse assunto.
     O cineasta irlandês Nicky Larkin causou furou em seu país. Ele é uma das personalidades mais proeminentes no mundo do cinema local. E nunca fez segredo de suas opiniões políticas. Em relação a Israel, ele também estava plenamente afinado com a tendência generalizaa de seu povo, onde a opinião pública é majoritariamente contrária a Israel. A onda de indignação que ele desencadeou deveu-se a um texto publicado no site www.independent.ie. Sua frase de abertura já deixou muitos leitores pasmos: “No passado eu odiava Israel”. E ele continuou escrevendo: “Mas agora eu abomino o terrorismo palestino. Acabei reconhecendo porque Israel precisa ser inflexível”. Larkin tenta explicar a seus leitores o porquê dessa mudança de postura.
     Em seu relato, feito de um modo muito especial,  Larkin conta sobre sua estada no Oriente Médio. Ele havia planejadoa viagem coletar material para seu novo filme acerca do conflito israelense-palestino. Pôs-se a caminho com ideias pré-concebidas, marcadamente de rejeição ao sionismo. Continua seu relato dizendo que, afinal, no passado sempre apoiou campanhas pró-palestinase contra o Estado de Israel. O filme que ele  queria rodar na regiãose propunha a entoar “mais hinos à luta palestina”. Mas foi justamente a visita ao Estado de Israel, olhado com desconfiança por ele, que o levou a mudar radicalmente sua opinião.
    Permaneceu sete semanas na região. Passou a metade do tempo em Israel e a outra metade na Margem Ocidental. Ele relata que o mantra dos mártires o acompanhou passo a passo no lado palestino. Isso o deixou pensativo, pois sempre havia se empenhado por uma solução pacífica do conflito. Mas, perguntava-se ele, sua postura pró-palestina baseada em uma luta não-violenta poderia ser conciliada com as declarações dos maiores expoentes da Autoridade Palestina, que não rejeitam qualquer forma de violência, pelo contrário, a enaltecem e justificam?
    Ele ficou definitivamene confuso quando encontrou pichações na Margem Ocidental não somente engrandecendo a violência em si mas viu inúmeras cruzes suásticas pintadas em paredes e muros.
    Isso permitiu, pela primeira vez, que ele conversasse de forma menos parcial e desconfiada com os israelenses, com gente simples nas ruas. Larkian escreveu em seu artigo: “De repente eu comecei a compreender como o isolamento é percebido pelos próprios israelense, um isolamento que já começou com os guetos na Europa e teve sua próxima estação em Auschwitz”. Ficou conhecendo melhor o que a violência significa para os israelenses, por exemplo, o que se passa no íntimo de um jovem soldado que se vê diante de outros jovens que acatam a pedradas a ele e seus companheiros de farda. Deu-se conta de como a população civil tenta levar uma vida normal e procura manter a rotina mesmo durante os ataques dos foguetes palestinos. Sentiu o que isso desencadeia nas almas das crianças. Resumindo: ele viu o terrorismo transformando vidas.
   “Para mim, foi nesse ponto que começou uma viagem intelectual cujo final não encontrou muito entusiasmo na minha pátria. O problema começou quando voltei par a casa com o filme na bagagem, quando cheguei à Irlanda e tentei mostrar os dois lados da moeda. Na realidade, existem mais do que duas faces, pois nada é preto-e-branco.
   Por isso chamei meu filho de “Quarenta nuances de cinza”. Mas em Dublin todos só queriam admitir um lado. Inaceitável não era só o outro lado – era qualquer tom de cinza e qualquer diferenciação”.
    Larkin declarou sentir-se grato por ter desencadeado uma discussão pública em seu país. “Um artísta também tem a tarefa de fazer perguntas incômodas. Nem sempre devemos tentar agradar o público”. Ele mencionou que agora existem diversas teorias conspiratórias anti-israelenses circulando a respeito de sua mudança de opinião. “No nível privado, muito discretamente, alguns irlandeses entram em contato comigo, pessoas que rejeitam o apoio cego à causa palestina. Mas eu lamento dizer que eles não se manifestariam publicamente a favor de Israel”. (Zvi Lidar).
Fonte: Notícias de Israel - Obra Missionária Chamada da Meia-Noite - Agosto de 2013 - Porto Alegre, RS – Brasil.
    

sábado, 6 de julho de 2019

SE JESUS NÃO HAVIA PECADO, POR QUE FOI BATIZADO?




A Bíblia confirma que Jesus não tinha pecado: “Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Heb. 4:15). Ela esclarece também que o objetivo do batismo é a confissão pública de pecados: “Pedro então lhes respondeu: Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para remissão de vossos pecados... (At. 2:38). Se apenas os pecadores deviam ser batizados, por que Jesus se submeteu ao batismo, uma vez que nele não havia pecado?
Esta  dúvida surgiu quando Jesus foi até João, para ser batizado. João não queria batizá-lo, porque percebeu que ele era o Messias prometido, não tendo, portanto, pecado. Tentou, inclusive, impedi-lo: “Mas João o impedia, dizendo: Eu é que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?” (Mat. 3:14). A resposta de Jesus é altamente instrutiva: “Consente agora; porque assim nos convém cumprir toda a justiça” (Mat. 3.15). Depois disso João o batizou, mesmo sabendo que não havia pecado nele.
O que foi, então, que Jesus quis dizer com “cumprir toda a justiça”? A Bíblia registra que Cristo veio à terra para ter uma vida perfeita. Isso o capacitou a ser o sacrifício por nossos pecados na cruz do Calvário. Sua vida é o exemplo de como devemos viver. Os que nele creem são instruídos a seguir esse exemplo. Ele insistiu então para ser batizado, a fim de dar o exemplo de conduta do cristão.
Além disso, ao ser batizado, Jesus estava se consagrando publicamente à vontade de Deus. Muito embora não tivesse pecado, que melhor maneira de iniciar seu ministério do que identificar-se simbolicamente com os pecadores?
Fonte: Stewart, Don – 101 perguntas que as pessoas mais fazem sobre Jesus – Rio de Janeiro: Junta de Educação Religiosa e Publicações da CBB, 1988.

segunda-feira, 24 de junho de 2019

JERUSALÉM: Uma Cidade Com Alma



     Próxima à estrada que vai de Jerusalém para Belém, está um campo que permanece vazio desde o final dos anos 1980. Os Estados Unidos o designaram como o terreno para a Embaixada americana.
     Desde que o Ato da Embaixada de Jerusalém foi assinado e se tornou lei em 1995, as resoluções do Congresso americano para relocar a embaixada de Tel-Aviv para Jerusalém têm sido deixadas de lado por presidentes que impõem atrasos sucessivos de seis meses paa a mudança.
     O atual governo americano está até questionando se Jerusalém é de algum modo parte de Israel, e afirma que o status da cidade só será determinado durante futuras negociações. O atraso, em grande parte, tem a intenção de apaziguar os inimigos árabes de Israel, que declaram quase que diariamente sua determinação de nunca reconhecer Jerusalém como capital de Israel ou Israel ou Israel como uma nação judaica.
     Para exacerbar a questão, existe a escalada da contenda anti-sionista no Ocidente, afirmando que os israelenses são ladrões de terra, intrusos ocupando terras alheias, que devem ser mantidos sob controle pelas autoridades internacionais, as quais ditam onde as fronteiras são traçadas e quem fica com qual porção de terra.
     Faltando está qualquer semelhança com a verdade e a justiça. Um acordo justo demanda uma escolha entre adotar um arbítrio político revisionista ou o fato histórico inegável.
     De início, a alegação de que os muçulmanos são anteriores aos judeus naquela região e que o povo judeu nunca habitou Jerusalém antes dos tempos modernos é rídicula. Afirmar que os patriarcas judeus eram islâmicos e que Jesus era um palestino defensor da liberdade teria sido embaraçoso em uma época mais racional.
     Na verdade, a reivindicação que o islamismo faz de Jerusalém é um adendo baseado em uma lenda, sem nenhum suporte de documentação histórica. E, embora os muçulmanos venerem o Domo da Rocha e a Mesquita al-Aqsa no Monte do Templo, Jerusalém não é centro mundial da religião islâmica. Tal honra reside em Medina e em Meca, na Arábia Saudita. É para a pedra da caaba, em Meca, que os muçulmanos afluem aos milhões anualmente, não ao Muro Ocidental ou ao Monte do Templo, cujo controle foi, incidentalmente , cedido aos palestinos através de uma acordo imposto de dois Estados.
     Assim, quando o embaixador de Israel nos Estados Unidos, Ron Mermer, no Dia de Jerusalém, em maio de 2014, publicamente incitou o Congresso a mudar a Embaixada, ele tinha os fatos e a justiça ao seu lado. “Já está ‘finalmente’ na hora”, disse Dermer, ‘de os Estados Unidos reconhecerem Jerusalém como a capital “indivisível” de Israel e de mudarem sua Embaixada para lá”.
     O apelo de Dermer vai muito além de uma manobra diplomática. Ele reflete uma essência que não é incorporada por nenhuma outra cidade sobre a face da terra. Há muito tempo, Elhanan Leib Lewinsky, escritor hebreu sionista, declarou: ‘Sem Jerusalém, a terra de Israel é um corpo sem alma”. É verdade!
     Outras capitais de países podem ser apreciadas por sua beleza, podem ser fortalezas de poder, centros de comércio e governo. Mas somente Jerusalém representa a alma de uma nação. Por mais de 3.000 anos, desde que o rei Davi comprou o que hoje o Monte do Templo (Monte Moriá|) e estabeleceu Jerusalém como a capital permanente do povo judeu, cada página significativa da sua história – bíblica ou secular – é selada com a autenticação de propriedade judaica.
     Talvez o mais notável seja que Jerusalém, subjugada e reduzida a escombros, jamais tenha sido eliminada dos anseios coletivos do povo judeu. Junto aos rios da longínqua Babilônia, os judeus exilados pranteavam por Jerusalém com os mesmos sentimentos saudosos que as modernas gerações da Diáspora:
     “As margens dos rios da Babilônia, nós nos assentávamos e chorávamos, lembrando-nos de Sião. Nos salgueiros que lá havia, pendurávamos as nossas harpas, pois aqueles que nos levaram cativos nos pediam canções, e os nossos opressores, que fôssemos alegres, dizendo: Entoai-nos algum dos cânticos de Sião. Como, porém, haveríamos de entoar o canto do Senhor em terra estranha? Se eu de ti me esquecer, ó Jerusalém, que se resseque a minha mão direita. Apegue-se-me a língua ao paladar, se me não lembrar de ti, se não preferir eu Jerusalém à minha maior alegria” (Sl 137.1-6).
     Tampouco os cristãos estão imunes à atração do amor por Jerusalém. Ela é o berço da Igreja e a origem de mais de 2.000 anos de proclamação do Evangelho da paz e reconcilição com Deus.
     Uma Jerusalém não-dividida, em um país (Israel) que dá plenos direitos e privilégios de cidadania igualmente a judeus, árabes e cristãos, não é obstáculo, mas uma solução. Ignorar o óbvio e retornar a uma cidade dividida, que separa o povo judeu de seu berço natal não beneficiará ninguém; ao contrário, piorará as coisas e permanecerá como um dos maiores erros da história. (Israel My Glory)
Elwood McQuaid é consultor editorial de The Friends of Israel.
Fonte: Notícias de Israel, Março de 2015, Chamada da Meia-Noite, Brasil

terça-feira, 18 de junho de 2019

MESSIAS, CHRISTÓS, MASHIACH, UNGIDO



     À medida que ensinamos a Bíblia, ficamos sempre surpresos por ver quantas pessoas não percebem que o nome de Jesus não “Jesus Cristo”.
     A palavra Cristo é o equivalente [em português] da plavra grega Christós. Christós é o equivalente grego da palavra hebraica Mashiach. Messias é o equivalente [em português] da palavra Mashiach. Todas essa palavras significam a mesma coisa: “Ungido”.
     Dizer “Jesus Cristo” é o mesmo que dizer “Jesus, o Messias”, ou, em hebraico, Yeshua (Jesus) Hamashiach (o Messias).
     Cristo é um título, não um nome. Jesus é o Cristo – o Messias, o Ungido. Sessenta e nove vezes no Novo Testamento Ele é chamado de “Cristo Jesus”. Na linguagem de hoje, a combinação nome-título é equivalente, por exemplo, “presidente Lincoln”.
     Vendo os dois adventos do Messias nas Escrituras, mas incapazes de entender que ambos se referem à mesma Pessoa,  alguns estudiosos judeus criaram a teoria dos dois Messias. O servo sofredor, a quem eles denominaram “Messias ben Yosef” e o Messias que reina e governa, a quem eles chamaram de “Messias ben David”. A palavra hebraica ben significa “filho”.
     É interessante que o nome verdadeiro de Jesus teria sido Yeshua ben Yosef, que quer dizer “Jesus, filho de José”. No entanto, Ele também é Jesus,  filho de Davi” porque, em Sua encarnação, nasceu  como descendente direto da linhagem do rei Davi e como herdeiro do trono. Portanto, ambos os nomes escolhidos pelos rabinos aplicam-se a Ele. (Israel My Glory)
Thomas C. Simcox é coordenador de treinamento de ministérios eclesiásticos de The Friends of Israel.
Fonte: Notícias de Israel, dezembro de 2014, Porto Alegre/RS , Brasil, Periódico da Obra Missionária Chamada da Meia-Noite.

quinta-feira, 6 de junho de 2019

"TÍTULOS" NO NOVO TESTAMENTO

     Os "títulos" que o Novo Testamento usa para descrever os servos de Deus refletem muito fortemente a verdade descrita acima. No texto original, a ideia de homens e mulheres reinando e governando sobre outros na Igreja não existe de forma alguma.
     Em muitos casos, porém, as tradições e práticas atuais das igrejas ligadas à tradução deturpada de vários versículos da Bíblia transmitem um sentido errôneo. Muitas vezes, o verdadeiro significado da terminologia foi grandemente distorcido ou já se perdeu em nossa geração moderna.
     Talvez o melhor exemplo deste problema seja a palavra "ministro". Hoje, o pensamento comum é que um "ministro" é alguém que "comanda" a igreja. Esta pessoa tem um título oficial, uma posição religiosa, talvez tenha também ornamentos especiais que veste para distinguir-se dos outros e, em geral, é elevada acima dos outros. Geralmente, espera-se dos membros um maior grau de respeito, semelhante ao que alguém daria a uma dignitário político.
     Contudo, a revelação nas Escrituras sobre o que é ser um "ministro" é muito diferente. Na verdade, há três palavras gregas diferentes que são traduzidas como "ministro". A primeira é DIAKONOS, que significa "servo" ou "atendente". A segunda palavra, LEITOURGOS, refere-se a alguém que servia o público de uma maneira especial, por conta própria. A terceira palavra, HUPERTES, originalmente, significava "remador inferior", que era uma classe de marinheiros. Sem dúvida, nenhum desses marinheiros estaria no comando do navio. Mais tarde, passou a significar qualquer subordinado agindo sob a direção de outro.
     Algumas outras palavras que se relacionam com o pensamento de serviço espiritual são: DOULOS, um escravo cativo; OIKETES, um servo doméstico; MISTHOS, um servo contratado; e PAIS, um servo menino. (Definição do Dicionário Expositor de Palavras do Novo Testamento, de W.E. Vine).
     Nada em qualquer dessas palavras sugere o conceito que comumente encontramos na Igreja, hoje. Servos não dizem o que fazer àqueles a quem estão servindo. Não são aqueles função é assistir aos outros, servindo-os de maneira humilde. Nestes termos não descobrimos exaltação do "ego", elevação aos olhos do mundo e nem posição especial de respeito social. Encontramos o verdadeiro oposto disso.
     O uso destes vocábulos sugere que aquelas pessoas  humilharam-se  e se tornaram-se servas genuínas, seguindo o exemplo de nosso Senhor Jesus por toda Sua vida (Fp 2.8). Com esta breve investigação, parece que a palavra "ministro" tornou-se tão mal empregada na Igreja, que, virtualmente, passou a significar o oposto do que significava no tempo de Jesus.

Fonte: Autoridade Espiritual Genuína. Por David W. Dyer. Tradução: Maria Regina Vidal Eliasquevici. Publicação: Ministério Grão de Trigo

segunda-feira, 27 de maio de 2019

DEUS ESTÁ MORTO?

Na metade da década de 60 evidenciou-se um grande interesse por um movimento filosófico que acreditava que Deus estava morto. Deus morreu? A pergunta é válida e a resposta é não. 
     Então por que não temos notícia dele? Por que Deus permanece em silêncio? Por que ele não se revela de forma que todos possam vê-lo?
     A Bíblia diz que Deus falou. Ele se revelou na história. Cada página do Antigo e Novo Testamentos apresenta evidências da revelação de Deus. O auge de sua revelação se deu quando ele tomou a forma de homem na pessoa de Jesus Cristo. "Havendo Deus antigamente falado de muitas vezes, e de muitas maneiras, aos pais, pelos profetas, nestes últimos dias a nós nos falou pelo Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas, e por quem fez também o mundo" (Heb. 1: 1,2).
     Desde o tempo de Cristo e da composição dos documentos do Novo Testamento não houve outras revelações da parte de Deus. A redação das Escrituras inspiradas foi concluída como os escritos dos apóstolos de Cristo e de seus discípulos.
     A próxima vez em que Deus intervirá abertamente nos assuntos humanos será quando voltar na pessoa de Jesus Cristo. Nessa ocasião todo  olho o verá. "Eis que vem com as nuvens, e todo olho o verá, até mesmo aqueles que o traspassaram; e todas as nações da terra se lamentarão sobre ele..." (Apoc. 1.7).
     O silêncio de Deus é uma comprovação de sua paciência. Deus continua esperando que as pessoas se arrependam de seus pecados. "O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é logânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se" (II Ped. 3:9).
     Mas se Deus aparecesse hoje as pessoas não seriam levadas a crer? Não. Embora elas não conseguissem negar a existência de Deus, sua presença não levaria todos a confiar nele. Uma coisa é crer que Deus existe, outra bem diferente é confiar-se a ele.
     Jesus comprovou na sua época, sem sombra de dúvida, que ele era o Messias, o enviado de Deus Pai para salvar o mundo. No entanto, a maioria das pessoas atribuiu seus milagres ao Diabo e acabaram por crucificá-lo. E não foi por falta de provas. Foi porque não queriam crer. Hoje em dias as pessoas podem dizer que se tornariam crentes se Deus aparecesse pessoalmente a elas, mas isso não é necessariamente verdade. O problema não é tanto uma questão de provas, mas sim do coração humano. O profeta Jeremias disse: "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?" (Jer. 17.9). Mesmo que Deus aparecesse em público, isso não provocaria uma explosão de fé nele.
     Os cristãos, contudo, aceitam o registro bíblico. Eles estão seguros de que Jesus Cristo era o próprio Deus. Estão convencidos de que Deus vive e continua executando seu plano para o universo; embora não tenha mais se revelado, continua operando nos corações e vidas dos homens.

Fonte: Stewart, Don - 103 perguntas que as pessoas mais fazem sobre Deus - Tradução de César de F.A. Bueno Vieira. 2ª ed. Rio de Janeiro: JUERP, 1988.
   

segunda-feira, 13 de maio de 2019

O SIONISMO CRISTÃO




“Abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te amaldiçoarem; em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gênesis 12.3) – Deus falando a Abraão.

     Nos últimos dois anos, nos EUA, a comunidade secular e alguns membros da comunidade religiosa acordaram para o fato de que a maior parte dos evangélicos é pró-Israel. E, adivinhem? Eles não gostaram nem um pouco. A mídia está cheia de artigos sobre os supostos perigos do apoio que os cristãos dão a Israel. Um dos que mais chamou a atenção foi publicado na edição de 23 de maio de 2002 no Wall Street Journal, com o título: “Como Israel se tornou a causa predileta da direita cristã”. Algumas pessoas ficaram horrorizadas com isso.

O Sionismo Cristão na Atualidade
     No início, citei Gênesis 12.3, onde Deus promete abençoar os que abençoarem Abraão e seus descendentes (isto é, Israel). Será que essa promessa ainda está valendo? Se a Bíblia deve ser interpretada literalmente e essa passagem ainda se aplica a Israel, e não à Igreja, ninguém deveria se surpreender que crentes – entre os quais me incluo – abracem o sionismo cristão. O sionismo é simplesmente o desejo de que o povo judeu ocupe a terra de Israel. Portanto, cristãos sionistas são todos aqueles que defendem essa causa.

     No primeiro semestre de 1992, a revista Christianity Today (Cristianismo Hoje) publicou uma matéria de capa sobre o sionismo cristão. O artigo For the Love of Zion (Por amor de Sião) foi escrito num tom geral de crítica aos cristãos sionistas, o que é normal em se tratando da Christianity Today. O texto dizia que o apoio dos evangélicos a Israel ainda era grande, mas já havia atingido seu ponto máximo e estava em declínio. Entretanto, atualmente, mais de uma década depois, a opinião geral é de que o sionismo cristão vem crescendo. Entretanto, o número de cristãos que se opõem a ele também tem aumentado.

     Em fevereiro de 2003, a Organização Sionista da América divulgou os resustados de uma extensa pesquisa de opinião realizada pela empresa especializada John McLaughlin e Associados. A análise dos dados indicava um crescente apoio dos americanos ao moderno Estado de Israel, em detrimento do Estado palestino. O resultado foi: 71% dos americanos se opunham à criação de um Estado palestino e quase a mesma porcentagem se opunha a qualquer apoio aos árabes palestinos. A maior parte desse apoio a Israel vem, certamente, dos chamados cristãos sionistas.

Cristãos Anti-Sionistas
     Pela primeira vez na história, cristãos declaradamente anti-sionistas (muitos deles evangélicos) parecem estar promovendo uma campanha cada vez mais intensa contra Israel. Um documento  publicado no site do Seminário Teológico Knox, fundado e presidido por D. James Kennedy – que, curiosamente, não assinou – acusa os que dão apoio  ao moderno Estado de Israel de estarem envolvidos “num grave erro de interpretação da Sagrada Escritura”. Ora, não me digam!

     Stephen Sizer está escrevendo um volumoso livro contra o sionismo cristão, intitulado Christian Zionism: Fueling the Arab-Israeli Conflict (Sionismo Cristão: Pondo Lenha na Fogueira do Conflito Entre Árabe e Judeus), que será lançado pela Inter-Versit Press. Imagino que essa ideia tenha se tornado tão forte que os editores acharam necessário publicar esse livro.  Collin Chapman também escreveu um livro que, em essência, é anti-sionista: Whose Promised Land? The Continuing Crisis Over Israel and Palestine (De Quem é a Terra Prometida? A Crise Interminável que Envolve Israel e a Palestina, Baker, 2002). Nesse livro ele tenta refutar o ensinamento bíblico sobre o direito do povo judeu à terra de Israel.

     Durante muitos anos, Gary DeMar exibiu se anti-sionismo nas muitas versões de Last Days Madness (A Loucura dos Últimos Dias). Num apêndice intitulado “Anti-Semitismo e Escatologia”, DeMar cita um trecho do livro Armageddon Now! (Armagedom Já!), escrito por Dwight Wilson, dizendo que o pré-milenismo fomentou o anti-semitismo durante o Holocausto. Wilson e DeMar fizeram uma afirmação ridícula que não tem o menor fundamento histórico. DeMar escreve: “Wilson afirma que foi a concepção dos pré-milenistas a respeito de uma perseguição predita aos judeus antes da Segunda Vinda que fez com que eles ficassem inativos quando chegou a hora de denunciar o odioso ‘anti-semitismo’.” 

     O modo como Wilson, e depois DeMar, interpretam os registros dos pré-milenistas a respeito desse assunto está totalmente errado. O historiador David Rausch afirma corretamente que:
     Essa teoria do “anti-semitismo fundamentalista” não só é tendenciosa, como está totalmente equivocada. Os protestantes fundamentalistas não, e nunca foram, anti-semitas. Na verdade, o próprio fundamentalismo [cristão] é um movimento religioso que tem suas origens num milenismo sionista. Os fundamentalistas são ardorosos defensores de Israel e da herança judaica.

Calvinismo Distorcido
          O calvinista DeMar deve estar tão desesperado para rotular como anti-semitas os pré-milenistas dispensacionalistas que chega até a adotar e defender a lógica arminiana de Wilson com relação à vontade de soberana de Deus. A interpretação de Wilson – de que a crença pré-milenista na certeza do cumprimento das profecias bíblicas levva à inação e ao fatalismo de seus seguidores – não só contraria os fatos, como seria considerada teologicamente errada por DeMar, se ele tivesse aplicado seu calvinismo a todas as questões que envolvem a soberania de Deus e a responsabilidade humana.

     DeMar não acredita – e nem eu – que o fato de Deus ter determinado quem será salvo e quem permanecerá perdido torne o crente obrigatoriamente fatalista e inativo em relação ao evangelismo ou a quer evento histórico. Na verdade, a história mostra que os calvinistas estiveram na dianteira dos movimentos evangelísticos. A história mostra, também, que os pré-milenistas lideraram os esforços de apoio ao povo judeu e a Israel, além de encabeçarem a oposição cristã ao anti-semitismo, exatamente como fazem hoje em dia. Se não fosse assim, não receberíamos essa avalanche de críticas por causa do amor  e apoio que damos a Israel.

De Braços Cruzados
Wilson , consequentemente, DeMar4 cometeram vários erros na caracterização dos pré-milenistas, no que diz respeito ao anti-semitismo. Wilson cita um poema que fala sobre anti-semitismo intitulado “Hands Off” (Tirem as Mãos), escrito por um pré-milenista. O poema dizia que era melhor os perseguidores dos judeus tirarem as mãos do povo de Deus, porque Ele iria castigá-los p or seu pecado. Wilson afirma que, nesse poema, o autor defende a tese de que os cristãos devem ficar de braços cruzados e não mover uma palha para defender os judeus oprimidos. Mas, na verdade, o objetivo do poema era dizer as pessoas como Hitler para tirarem sua mãos de cima dos judeus, e não encorajar os cristãos a não se envolverem com a perseguição que ocorria na Europa.

De Braços Dados
     Contrariando o ponto de vista de Wilson/DeMar, Rusch afirma que os pré-milenistas não ficaram sentados de braços cruzados, mas estiveram diretamente envolvidos na luta contra o anti-semitismo Rausch cita muitos exemplos de americanos e europeus prè-milenistas que alertaram sobre a onde de anti-semitismo que varria a Europa (principalmente a Alemanha e a Rússia), durante várias Conferências Proféticas5 realizadas entre 1878 e 1918. Rausch comenta que o dispensacionalista americano Arno Gaebelein, um imigrante alemão, “criticou severamente a cristandade gentílica em suas palestras e escritos, por causa de seus ataques aos judeus.6 Em 1895, ao retornar aos Estados Unidos depois de uma viagem à Alemanha, Gaebelein disse com tristeza:

     Realmente é verdade que a Alemanha Protestante odeia os judeus e, diante do que vi e ouvi, receio que, mais cedo ou mais tarde, outra perseguição hedionda acabe explodindo.
     O fato é que não havia muitos pré-milenistas na Alemanha nazista,  já que a maioria dos cristãos da época naquele pais era composta de liberais. Em toda a minha vida, nunca encontrei ou ouvi falar de um liberal que fosse pré-milenista. Joop Westerville, um dos líderes da resistência, fazia parte dos Irmãos de Plymouth e tem lugar de destaque no monumento israelense em memória aos “Justos da Nações”. A família de Corrie Ten Boom (autora do best-seler “O Refúgio Secreto”) era pré-milenista, e para os evangélicos ela é sinônimo de ativismo em defesa dos judeus na II Guerra Mundial. Rausch observa que, “contrariando a opinião popular, esse ponto de vista em relação à profecia (pré-milenismo) combateu o anti-semitismo e procurou reafirmar as promessas que Deus fez ao povo judeu através de Abraão – promessas bíblicas que os cristãos pós-milenistas haviam declarado nula e revogadas”.8

Mais Confusões de Wilson
     Wilson afirma que os pré-milenistas como Gaebelein “pareciam legitimar a atitude dos nazistas”,9 pois criticavam certas atividades dos judeus e não duvidavam da autencidade do documento anti-semita intitulado Protocolos dos Sábios de Sião. Wilson fala dos pré-milenistas como se o fato de não considerarem que os Protocolos eram forjados fosse a mesma coisa que achar que o que eles diziam era verdade. Os pré-milenistas como Gaebelein discordavam totalmente da propaganda anti-semita dos Protocolos, mas Wilson nem toca nesse assunto. As críticas dos pré-milenistas não podem de forma alguma ser tachadas de anti-semitismo. Contrariando Wilson, Rausch observa: “Foi a escatologia pré-milenista que levou os primeiros fundamentalistas a terem uma visão altamente positiva  da história e herança judaicas. Até mesmo nos comentários negativos não há malevolência em relação ao povo judeu, porque os proto-fundamentalistas acreditavam que todos os homens eeram indignos da graça de Deus e que até mesmo os proto-fundamentalists eram pecadores”.

O Amor dos Dispensacionalistas por Sião
     Creio que podemos afirmar com segurança que, nos 2000 anos de história da Igreja, nunca houve um grupo de cristãos que se preocupassem mais com o povo judeu e com seu distino do que os dispensacionalístas. Antes do surgimento do dispensacionalsmo, os cristãos não pareciam capazes de reconhecer que Deus tinha um plano para trazer glórias futuras à etnia judaica, sem isso implicasse em subordinar a Igreja ao judaísmo.

     O pai do dispensacionalismo moderno, J. N. Darby, desenvolveu sua teologia entre as décadas de 20 e 30 do século XIX, afirmando que o plano de Deus para a história incluía dois grupos de pessoas: Israel e a Igreja. Darby interpretou o Antigo Testamento literalmente, reconhecendo assim o destino futuro de Israel. A mesma forma de interpretação literal foi aplicada ao Novo Testamento e à Igreja. Não havendo espiritualizado nem Israel nem a Igreja, ele reconheceu na Bíblia dois povos de Deus. “Darby afirmou que foi a compreensão de que ‘uma parte  do plano de Deus ainda não havia se cumprido; um estado de coisas ainda não estava estabelecido’ que o levou a formular sua distinção entre Israel e a Igreja”.  Por causa da disseminação do ponto de vista dispensacionalista, “os pré-milenistas puderam dar ênfase à evangelização dos judeus [a apresentação do Messias a eles] e, ao mesmo tempo, passaram a apoiar as aspirações nacionalistas daquele povo”.
     De fato, o aumento do interesse pela evangelização dos judeus por parte dos dispensacionalistas foi documentado recentemente num novo estudo sobre o evangelismo judaico. Yaskov Ariel afirma:
     O surgimento do movimento de evangelização dos judeus nos Estados Unidos coincidiu com o surgimento do sionismo, o movimento nacionalista judaico cujo objetivo era a reconstrução da Palestina como pátria judaica. A comunidade missionária, assim como os dispensacionalistas americanos em geral, teve grande intereresse no que estava ocorrendo com o povo judeu [...].
     Talvez não seja de estranhar que os missionários dedicados à evangelização de judeus estivessem entre os maiores propagadores da crença pré-milenista dispensacionalista [...]. Eles condenavam o anti-semitismo e a discriminação contra os judeus em todo o mundo.

William E. Blackstone
     A teologia dispensacionalista explica porque essa forma de pré-milenismo foi a mais eficaz na evangelização de judeus, ao mesmo tempo que se colocava ao lado deles em causas como o sionismo. De fato, os dispensacionalistas foram os primeiros foram os primeiros defensores do sionismo, antes mesmo que assunto começasse a ser cogitado entre os judeus.
“Humanamente falando, a origem do sionismo não se deve, primeiramente, à comunidade judaica, mas aos esforços de um cristão, alguém que todos nós respeitamos e que sempre teve grande apreço pela obra missionária entre os judeus: William E. Blackstone”.
     Benjamin Netanyahu (ex-primeiro-ministro de Israel) também reconhece as raízes primitivas do sionismo cristão, ao declarar que ele “antecipou-se ao movimento sionista modernoem pelo menos meio século”.
     A constribuição de Blackstone foi reconhecida pela comunidade judaicaem 1918, através de Elisha M. Friedman, secretário da Sociedade Sionista Universitária de Nova Iorque, que declarou: “Cinco anosantes de Theodor Herzl, um cristão leigo bem conhecido, William E. Blackstone, já defendia o restabelecimento do Estado judeu”. Contrariando a imagem apresentada por DeMar e Wilson, Blackstone fornece outro exemplo de como os pré-milelistas jamis ficaram de “braços cruzados” na luta contra o anti-semitismo. “ Depois de viajar pela Europa, Egito e Palestina, em 1888, Blackstone organizou em Chicago, em 1890, uma das primeiras conferências de cristãos e judeus. Os  judeusda Rússia estavam sendo perseguidos, e Willliam Blackstone sentia que meras mensagens de solidariedade eram insuficientes”.

Conclusão
     Apesar de que dizem os críticos, que injustamente tentam nos denegrir, os pré-milenistas dispensacionalistas sempre foram os melhores amigos que o povo judeu teve entre os cristãos. Há anos, muitas pessoas em Israel têm reconhecido isso. O surpreendente é que, nos últimos tempos, até mesmo a comunidade ortodoxa percebeu que tem amigos e defensores dentro da comunidade cristã conservadora. Além do apoio a Sião, os pré-milenistas dispensacionalistas têm sido os líderes na evangelização da comunidade judaica durantea presente era da Igreja. Na minha opinião, esse apoio dos cristãos a Sião, que vemos hoje em dia, se estenderápor toda a eternidade. Maranata! (Pre-Trib Perspectives)

Thomas Ice é diretor-executivodo Pre-Trib Research Center (Centro de Estudos Pré-Tribulacionistas).


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FONTE:
THOMAS, Ice, Notícias de Israel (Rio Grande do Sul: Chamada da Meia-Noite, 2004), pp.5-9