SANDRO GOMES DE OLIVEIRA. Diretor do Centro de Educação Teológica e Evangelística Shekinah.

segunda-feira, 30 de março de 2015

A BÍBLIA E A REENCARNAÇÃO

          A SEGURANÇA DA BÍBLIA: Consideremos essas palavras de Allan Kardec: " No cristianismo encontram-se todas as verdades" (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. VI, item 5).  A Bíblia sempre foi a única base doutrinária e regra de fé e conduta dos verdadeiros cristãos.  Em 2ª  Timóteo 3.16 está escrito: "Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça".
          Jesus Cristo, tido pelo Kardecismo como a segunda revelação de Deus aos homens (Moisés seria a  primeira), afirmou a solidez e a inspiração plenária da Bíblia.  Em João 17.17, orando ao Pai, Ele diz: "A tua palavra é a verdade" (cf. Salmo 119.160).  Quando tentado, sempre usando a expressão  "está escrito",  Ele respondeu citando o texto de Deuteronômio 8.3:  "Não só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus" (Mateus 4.4).  Em Mateus 24.35 diz:  "Passará o céu e a terra,  porém as minha palavras não passarão".  Ele sempre usou a Bíblia para ensinar, redarguir, corrigir ou instruir em justiça.
          Aos saduceus, que não criam na ressurreição, Jesus respondeu:  "Errais não conhecendo as Escrituras nem o poder de Deus."  (Mateus 22.29).  Jesus ainda nos manda examinar as Escrituras, pois são elas que testificam da Sua obra redentora : "Examinais as Escrituras,  porque julgais ter nelas a vida eterna, e são elas mesmas que testificam de mim.  Contudo, não quereis vim a mim para terdes vida" (João 5.39-40).
          Na parábola do rico e de Lázaro (Lucas 16.19-31), Jesus mais uma vez demonstra a Sua c onvicção nas Escrituras ao narrar a resposta dada pelo patriarca Abraão ao rico, quando este, no Sheol-Hades (inferno), lhe  pedira que enviasse Lázaro aos seus irmãos: "Respondeu-lhe Abraão:  Eles têm Moisés e os Profetas; ouçam-nos" (versículo  29).  Jesus reporta-se a Moisés e aos Profetas para nos informar que nenhuma outra forma de revelação  poderia  ser apresentada aos homens (inclusive a mediúnica), pois, por meio de ambos, foi-nos dada a verdadeira revelação - a Bíblia.
          O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE REENCARNAÇÃO? O Minidicionário Aurélio conceitua o ver REENCARNAR da seguinte forma:  " 1. Reassumir (o espírito)  a forma material.  2. Tornar a encarnar". Ao contrário da ressurreição, que é a volta do espírito ao mesmo corpo, a reencarnação significa o retorno do espírito a um novo corpo, sucessivamente, até alcançar a evolução.
          Na verdade, a não ser por meio de uma exegese forçada, não há na Bíblia qualquer referência direta ou indireta à reencarnação.  Ao contrário, as Escrituras  ensinam que, da mesma maneira como Jesus veio ao mundo uma só vez, também ao homem está ordenado morrer uma única vez:  "E, assim como aos homens está ordenado morreram uma só vez, vindo, depois disto, o juízo, assim também Cristo, tendo-se oferecido uma vez para sempre para tirar os pecados , aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o aguardam  para a salvação" (Hebreus 9.27). O sacrifício único de Jesus, ao morrer na cruz, é mais que suficiente  para nos libertar dos pecados e nos conduzir a Deus: "Pois também Cristo morreu, uma única vez, pelos pecados, o justo pelos injustos,  para conduzir-vos a Deus; morto, sim, na carne, mas vivificado no espírito" ( 1 Pedro 3.18).
          Todo o ensinamento bíblico é no sentido de que só poderemos morrer uma única vez até o juízo final de Deus.  Jesus não somente ressuscitou três dias após Sua morte, como também  incluiu a ressurreição entre os Seus milagres (João 11.11-44).  Diversas outras passagens da Bíblia demonstram a realidade da ressurreição (Daniel 12.2; Isaías 26.19; Oséias 6.2; 1 Coríntios 15.21-22;  João  5.28-29;  Atos  24.15; Apocalipse 20.6).  Em todos esses textos, ressuscitar significa o retorno do espírito ao seu próprio corpo (ver também 1 Coríntios 15.12-22).
          ENTÃO, SE NÃO EXISTE REENCARNAÇÃO, O QUE FAÇO  PARA SER SALVO?  A resposta está em Atos 16.31: "... Crê no Senhor Jesus Cristo e serás salvo, tu e tua casa".  Somente através da nossa fé,  pura e incondicional, é que obteremos a salvação, mediante Jesus Cristo.  Ele mesmo disse: "Eu sou a ressurreição e a vida.  Quem crê em mim, ainda que morra, viverá  (João 11.25).  Não há outro caminho e nenhuma outra verdade além desta (veja João 14.6).  Não adianta esperar uma outra existência, pois esta é a única oportunidade.  Jesus, somente Ele, é quem nos dá a vida eterna:  "Eu lhes dou a vida eterna; jamais perecerão, e ninguém as arrebatará da minha mão" (joão 10.28).  Então, busque hoje mesmo a Jesus Cristo, entregue-Lhe seu coração e Ele o ouvirá:  "Porque:  Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo"  (Romanos 10.13).  (M. Martins)

Crédito:  Folheto da Missão Chamada da Meia Noite

sexta-feira, 6 de março de 2015

Jesus morreu por muitos ou por todos os pecadores? Por Ciro Sanches Zibordi

Jesus morreu por muitos ou por todos os pecadores?


O bom hermeneuta — intérprete das Escrituras — não deve se prender apenas ao étimo dos termos bíblicos para fazer uma boa exegese. Ele deve saber que os contextos geral e imediato podem alterar o significado original de uma palavra. Afinal, as Escrituras são análogas. Vejamos como os termos "todos" e "muitos", em Romanos 5, mudam de significado de acordo com a construçao frasal ou ao serem confrontados com a analogia geral das Escrituras.

Versículo 12: "por um homem [Adão] entrou o pecado no mundo [...] a morte passou a todos os homens [...] todos pecaram". O termo "todos", aqui, evidentemente, alude à totalidade do mundo, visto que os contextos imediato e remoto indicam que todas as pessoas do mundo, sem exceção, pecaram e vêm ao mundo, por conseguinte, já mortas em pecado (Rm 3; Gl 3; Jo 3, Ef 2, 1 Jo 1-2; Sl 51.5, Pv 20.9; Is 53, etc.).

Versículo 15: "pela ofensa de um [Adão], morreram muitos". O termo "muitos", aqui, denota "todos". Por quê? Porque o versículo 12 (contexto imediato) mostra que a morte passou a todos os homens, depois da Queda, e não a muitos. Além disso, como vimos, o contexto remoto também revela que o pecado original é extensivo a toda a humanidade.

Versículo 18: "por uma só ofensa [a de Adão] veio o juízo sobre todos os homens para condenação [...] por um só ato de justiça [realizado pelo Senhor Jesus] veio a graça sobre todos os homens para a justificação de vida". O termo "todos", aqui, à luz do contexto imediato, refere-se, sem dúvidas, à totalidade da humanidade pecadora. Afinal, todos nascem debaixo da condenação, visto que Deus nivelou toda a humanidade debaixo do pecado (Rm 11.32; Gl 3.22). Por outro lado, pela mesma lógica, todos os que crerem, considerando que Deus não faz acepção de pessoas (Rm 2.11; Tg 2.1), podem ser alcançados e salvos pela graça de Deus (Jo 3.16; Mc 16.15,16; Tt 2.11; 1 Tm 2.4; 4.10; 1 Jo 2.1,2).

Versículo 19: "pela desobediência de um só homem [Adão], muitos foram feitos pecadores [...] pela obediência de um [Cristo], muitos serão feitos justos". O primeiro "muitos", aqui, como já vimos, equivale a "todos". Mas o segundo denota, curiosamente, "poucos", em relação à totalidade. Como assim? Embora o Senhor Jesus tenha provado a morte por toda a humanidade (Hb 2.9) — haja vista ter Deus encerrado a todos debaixo da desobediência, para com todos usar de misericórdia (Rm 11.32) —, a Bíblia mostra que poucos são os que entram pela porta da salvação (Mt 7.13,14).

Van Johnson, ao discorrer sobre a ocorrência de "todos" e "muitos" em Romanos 5, afirmou: "O leitor notará como Paulo passa livremente de 'todos' para 'muitos' ao longo de toda essa seção. [...] O uso de 'muitos' em oposição a 'todos' não é significativo, porque Paulo usa os termos intercambiavelmente. Os 'muitos' que morreram pela transgressão de um homem (v.15) são certamente referência a todas as pessoas. E a natureza paralela dos versículos 18 e 19 sugere que o 'todos' do versículo 18 é equivalente ao 'muitos' do versículo 19" (Comentário Bíblico Pentecostal do Novo Testamento, CPAD).

Em Romanos 5.6, a Palavra de Deus assevera que "Cristo morreu a seu tempo pelos ímpios". Ele não deu a sua vida por um grupo seleto de santos e justos, e sim por ímpios e pecadores. Paulo explica melhor o sentido de morrer pelos ímpios, nos versículos posteriores: "Dificilmente, alguém morreria por um justo; pois poderá ser que pelo bom alguém se anime a morrer. Mas Deus prova o seu amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores" (vv.7,8). Além de ímpios, éramos, por antecipação, inimigos de Deus, visto que já nasceríamos em pecado (Rm 3.23; 5.12). Paulo esclarece: "se nós, quando inimigos, fomos reconciliados com Deus mediante a morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida" (Rm 5.10).

Não existem justos de nascimento. Se, hoje, somos considerados justos, é porque fomos justificados pelo Senhor Jesus (v.1). E isso decorre do seu sacrifício vicário e expiatório: "Logo, muito mais agora, sendo justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira" (v.9). Diante do exposto, por quem Cristo morreu? Por todos os pecadores, ímpios e inimigos de Deus. Ou seja, o Senhor deu a sua preciosa vida por mim e por você. Glória seja dada ao Salvador do mundo!

Crédito: Portal de Notícias da CPAD

segunda-feira, 2 de março de 2015

O ANIQUILAMENTO NÃO É ENSINADO NAS ESCRITURAS

Ao serem exterminados, os ímpios serão aniquilados?

Ser exterminado não significa ser aniquilado, como insistem em explicar aqueles que ensinam o aniquilamento como um estado final para os  ímpios. Em Daniel 9.26, lemos o relato profético a respeito da morte do Messias.  Se a palavra usada para indicar a sua morte é a mesma no Salmo 37.9,34, então teríamos de entender que o Messias fora aniquilado quando morreu. Sabemos, portanto, que Cristo não foi aniquilado, pois Ele ressuscitou no terceiro dia e vive para todo o sempre. O extermínio é apenas temporal; isto é, aqueles que são exterminados ainda terão de prestar contas diante do Tribunal de Cristo. Os aniquilacionistas afirmam que todos os ímpios serão aniquilados; ou seja, eles deixarão de existir, e isso para sempre.  Não encontramos  esse ensino do aniquilacionismo nas Escrituras.  Todos serão ressuscitados e prestarão contas de Deus:  E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo (Hb 9.27).  E valeria ainda citar Apocalipse 20.11-15.

Crédito:  Defesa da Fé  fevereiro  2001
    

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015

TÉCNICA DOS 30 SEGUNDOS - Por William Douglas


     Um dos maiores comunicadores da atualidade, Milo Frank (1996), propõe que sejamos capazes de dizer tudo o que queremos  em 30 segundos, ou menos. Mostra que podemos fazer uma preparação prévia, mesmo que complexa, e fazer um trabalho posterior, mas a mensagem essencial deve ser dita em 30 segundos.
     Ele mostra que a atenção humana às vezes tem esse limite de tempo, tanto que os  comerciais em geral duram 30 seguidores.  Mostra ainda que as notícias de TV levam em média 90 segundos, 30 para explicar o problema, 30 para uma entrevista ou flash e mais 30  para a conclusão do jornalista.
      Para preparar uma mensagem em 30 segundos é preciso saber exatamente o que se quer, dirigir-se à pessoa certa, da forma certa, da forma que ela entender melhor e p referir.   Além disso, é claro, deve-se pedir o que se quer. Estou cansado de ver pessoas que não sabem, não querem (!?) ou não têm coragem de pedir o que querem, desde um beijo até um emprego ou aumento salarial.
     A técnica dos 30 segundos é útil porque leva a pessoa a (ob.cit., p.12):
·         Concentrar o  pensamento
·         Concentrar a escrita
·         Concentrar a fala
·         Conservar o rumo da conversa
·         Preparar mais rapidamente qualquer tipo de comunicação
·         Ser mais lógico e mais conciso
·         Encurtar entrevistas e reuniões
·         Ajudar o interlocutor a prestar  atenção
·         Reforçar as conversas e apresentações
·         Ser mais eficiente em qualquer entrevista ou reunião
·         Manejar melhor as perguntas e respostas
·         Aumentar sua segurança
·         Obter melhores resultados em sua vida profissional e pessoal.
Acredito que devemos saber a hora de usá-la.  Mesmo que não reduzamos   a mensagem a 30 segundos, a técnica ajuda na busca da objetividade.

(Santos, William Douglas Resinente dos, Como passar em provas e concursos: tudo o que você precisa saber e nunca teve a quem perguntar /Editora Elsevier. 17.ed.rev. p.469-70.

sábado, 31 de janeiro de 2015

Lições extraídas da Ostra - Reflexão


"Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas."
Pérolas são produtos da dor; resultados da entrada de uma substância estranha ou indesejável no interior da ostra, como um parasita ou grão de areia. Na parte interna da concha é encontrada uma substância lustrosa chamada nácar.
Quando um grão de areia a penetra, ás células do nácar começam a trabalhar e cobrem o grão de areia com camadas e mais camadas, para proteger o corpo indefeso da ostra. Como resultado, uma linda pérola vai se formando. Uma ostra que não foi ferida, de modo algum produz pérolas, pois a pérola é uma ferida cicatrizada.
O mesmo pode acontecer conosco. Se você já sentiu ferido pelas palavras rudes de alguém? Já foi acusado de ter dito coisas que não disse? Suas idéias já foram rejeitadas ou mal interpretadas? Você já sofreu o duro golpe do preconceito? Já recebeu o troco da indiferença?
Então, produza uma pérola ! Cubra suas mágoas com várias camadas de AMOR.
Infelizmente, são poucas as pessoas que se interessam por esse tipo de movimento. A maioria aprende apenas a cultivar ressentimentos, mágoas, deixando as feridas abertas e alimentando-as com vários tipos de sentimentos pequenos e, portanto, não permitindo que cicatrizem.
Assim, na prática, o que vemos são muitas "Ostras Vazias", não porque não tenham sido feridas, mas porque não souberam perdoar, compreender e transformar a dor em amor. Um sorriso, um olhar, um gesto, na maioria das vezes, vale mais do que mil palavras!     
FONTE: VIA FACE - DAVI MORGADO

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

JESUS NÃO ERA SEMELHANTE AOS HOMENS, ERA HOMEM

    Romanos 8.3 indica que Jesus era apenas semelhante aos homens?

              Jesus não veio apenas em semelhança de carne humana, como se fosse em aparições fluídicas. Ele veio com um corpo de carne realmente. Foi gerado no ventre de Maria, concebido pelo Espírito Santo (Mt 1.18). Cresceu em sabedoria, e em estatura, e em graça para com Deus e os homen(Lc 2.52).  Ele sentia fome (Mt 4.2), cansaço (Jo 4.6) e dormiu (Mt 8.24). Teve um ministério que repercutiu no império romano e na história humana. Sofreu nas mãos dos judeus e romanos. Padeceu morte de cruz e ressuscitou. Toda doutrina cristã está diretamente relacionada com a pessoa, vida e ressurreição de Jesus. Hoje encontramos diversas seitas que refletem em suas doutrinas as ideias gnósticas do primeiro século. Tais afirmações dizem que o corpo de Jesus era apenas aparente ou fluídico. O apóstolo João escreveu contra tais heresias: Nisto conhecereis o Espírito de Deus: Todo espírito  que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo  o espírito que não confessa que Jesus Cristo veio em carne não é de Deus; mas este é o espírito do anticristo, do qual já ouvistes que há de vir, e eis que já está no mundo (1 Jo 4.2-3). Romanos 8.3 nos diz: Porquanto o que era impossível à lei, visto como estava enferma pela  lei, Deus, enviando o seu Filho em semelhança de carne do pecado, pelo pecado condenou o pecado na carne.  Jesus não tinha forma humana até sua encarnação. ( Jo 1.1-3, 14 e Gl 4.4).

    Crédito: Defesa da Fé - fevereiro de  2001

domingo, 30 de novembro de 2014

Nove Mitos Sobre Missões - Por Timóteo Carriker



O trabalho missionário contemporâneo  implica em todo trabalho pastoral e além disto, tem que dar conta do fator  cultural.
Missões é um assunto de suma importância na Bíblia. Esta afirmação pode ser ilustrada por duas observações acerca de Jesus. Em primeiro lugar, em João 20.21, lemos que Jesus veio habitar entre nós sendo ele mesmo missionário de Deus e o modelo de missionário para seus discípulos, "assim como o Pai me enviou, eu vos envio" (nota-se que o termo "missionário" significa literalmente "enviado"). Sua vinda para este mundo, portanto, foi uma vinda missionária, que por sua vez cria o padrão para a tarefa missionária da igreja. Em segundo lugar, Jesus gastou seus últimos momentos no mundo, já ressurreto embora antes da ascensão, desafiando a igreja para sua tarefa missionária. Isto é o contexto dos cinco relatos da Grande Comissão (Mateus 28.18-20, Marcos 16.15, Lucas 24.44-49, João 20.21 e Atos 1.8). Certamente esta instrução dada nos últimos momentos de Jesus com seus discípulos merece certo relevo.
Contudo, apesar de tão grande destaque, existe hoje muito mal-entendido sobre a tarefa missionária. Através dos anos, criamos até mesmo uma série de mitos a este respeito. Queremos desvendar alguns destes mitos nesta reflexão.

 

Três Mitos Sobre Estratégia


 O primeiro mito parte dos "zelosos" e alega: missões estrangeiras são mais importantes que missões nacionais, nossa meta é ir literalmente até aos confins da terra. Uma implicação deste mi- to é que a distância que o missionário transcorre está em direta proporção com sua espiritualidade. Por isto, às vezes, inconscientemente, o trabalho do missionário no distante Amazonas ou até na África é considerado de mais valores que o trabalho realizado num bairro ou numa vila próxima.
Prega-se muito Atos 1.8 como a base deste mito e enfatiza-se a frase "até os confins da terra". Todavia, se fôssemos aplicar este versículo literalmente à tarefa contemporânea, o nosso alvo missionário, nosso "confins da terra", seria chegar até  a Oceania atualmente a região de maior porcentagem de cristãos praticantes no mundo inteiro (entre 80 a 95 % freqüentam a igreja!). E para Lucas, quanto mais longe o evangelho se espalhava de Jerusalém, mais encontrava com povos não-evangélicos. Hoje, graças a Deus, isto não é mais o caso. Há casos em que se formos para mais longe encontremos lugares com maior penetração do evangelho do que entre nos.
Portanto, nossa meta deve ser a meta de Paulo, pregar "não onde Cristo já fora anunciado" (Romanos 15.20), quer distante, quer próximo. É uma meta nem tanto geográfica quanto evangelística.
Segundo mito parte dos “duvidosos” e indaga: missões nacionais são mais importantes que missões estrangeiras; por que gastar tanto esforço e dinheiro lá quando há tanto ainda para fazer aqui?
Este mito também apela muito para Atos 1.8, mas enfatiza a idéia de ser testemunha primeiro em Jerusalém. Porem, o texto não fala "primeiro" mas tanto em Jerusalém como em toda Judéia e Samaria”. E, de fato, a igreja primitiva não esperava por uma saturação do evangelho em Jerusalém antes de prosseguir para outras regiões. O "tanto...como" indica que a obra missionária deve ser proporcional, A nossa está? No caso das denominações evangélicas norte-americanas, gastam apenas 5 % gasta em trabalho missionário entre povo que já têm fortes igrejas autóctones!), E as nossas igrejas no Brasil? A onde está nosso equilíbrio bíblico entre o trabalho missionário aqui e o trabalho lá?
De novo, a meta implícita em Atos 1.8, está explícita em Romanos 15.20: “não onde Cristo já fora anunciado”.
Um terceiro e novo mito divulgado pelos “ingênuos” é que: missões transculturais são “melhores” que missões monoculturais. Cita-se muito Mateus 28.19: “Fazei discípulos de todas as nações”, e observa-se que “nações”. significa não países inteiros, mas “etnias”, grupos humanos culturalmente definidos.
Pois bem, mas não é por isso que missões transculturais são “melhores” que as monoculturais, Aliás, em termos de afetividade, isto não é verdade. Sendo todos os outros fatores iguais, a evangelização realizada por alguém da própria cultura é bem mais efetiva que a evangelização realizada por alguém culturalmente estranho. Os brasileiros sabem ganhar melhor que os estrangeiros...
Por que, então, há tanta ênfase hoje em dia em missões transculturais? A razão é simples, embora nada tenha a ver com eficácia; Mais que três quarto dos povos ou etnias no mundo não possuem uma igreja autóctone que possa realizar a evangelização do seu povo. Isto  significa  que a evangelização destes povos só poderá ser realizada por pessoas duma outra cultura, isto é, transculturalmente. Não é que missões transculturais sejam melhores, mas são o único meio de alcançar os dois bilhões ainda não alcançados.

Três Mitos Sobre Preparo


Há também muita confusão quanto à preparação adequada para o desempenho missionário. Tratamos aqui de mais três mitos.
O primeiro é dos "reservados" e diz: a não ser que Deus dirija claramente ao contrário, devo permanecer aqui.
Mas, à luz da direção inequívoca da Bíblia em geral, da ordem explícita de Jesus em particular, e da situação contemporânea da evangelização mundial, parece-me que nossa orientação deve ser o contrário: a não ser que Deus dirija claramente ao contrário, devo ir, especial- mente "não onde Cristo já fora anuncia- do". Sem dúvida, a pressuposição de ir em vez de permanecer é bem mais difícil. Entretanto, não é mais coerente com o ensino bíblico e o contexto mundial de evangelização?
O segundo mito sobre o preparo missionário surge dos "ambiciosos" e assevera: quando Deus me chama devo atendê-lo imediatamente. apesar d ou não da igreja, Como todos os demais   mitos, este soa certo. Afinal de contas, não devemos obedecer antes a Deus do que aos homens?
Todavia, a exortação de obedecer a Deus antes do que aos homens, se refere aos homens incrédulos, não à igreja. É necessário que a igreja confirme o chamamento missionário e dê apoio em to- dos os sentidos para o candidato a missões. Consideremos o exemplo de Paulo: Ele mesmo identifica seu chamamento missionário com a sua conversão (Gálatas, 1.15-17). Mesmo assim, sua partida como missionário somente se realizou depois dum período de aprendizagem e ministério na igreja local e depois do re- conhecimento e apoio da mesma (Atos, 13.4).

Terceiro mito em relação ao preparo parte dos "pretensiosos” e pressupõe:
o melhor: o melhor preparo é mais próprio para os pastores os missionário, os não precisam de tanto, já que apenas dão inicio a um trabalho. Lógico, nunca se fala assim, mas a pratica demonstra que este mito é bem vivo. É refletido através de nível e duração dos cursos missionários que damos. através de outro preparo acadêmico que exigimos e através dos salários que damos.  E como se os candidatos que não dão certo no pastorado pudessem sempre recorrer para um ministério mais rústico e missionário.
Raparemos bem que a Igreja de Antioquia enviou seus melhores líderes para ba o trabalho missionário (Atos, 13.1-4). Paulo, Barnabé, Simeão, Lúcio de Cirene e Manaém eram mestres e profetas na igreja! Pelos padrões da maioria das nossas igrejas contemporâneas, seriam os últimos dos quais abriríamos a mão do ministério pastoral! Contudo, a Igreja primitiva enviou a “nata” da sua liderança.
O trabalho missionário contemporâneo implica em todo o trabalho pastoral e além disto, tem que dar conta do fator cultural. Por isso, exige mais e não, menos trabalho que o ministério doméstico. Além do treinamento tradicional nas áreas bíblicas, teológicas, histórica e pastorais, exige ainda conhecimento de antropologia, lingüística, religiões e estratégia. Precisamos mandar o melhor dos nossos líderes que possam ter este conhecimento e ainda enfrentar as pressões psicológicas resultantes de estarem longe de casa, numa cultura estranha, com  pouco apoio social e psicológico próximo. Não é de se admirar, então, que a Igreja primitiva não enviava qualquer um! 




Três Mitos Sobre o Papel do Brasil


Os seis mitos anteriores são característicos da igreja no mundo inteiro. Nós também os adotamos em grande parte. Mas há outros mitos mais característicos da igreja no Brasil em partícula.Voltemos nossa atenção para estes.
O primeiro brota dos "nacionalistas" e assegura: missões é coisa dos norte-americanos e europeus. Para ser justo, esta colocação é grandemente culpa dos próprios missionários estrangeiros no Brasil. Realizaram o trabalho, ora nobre e sacrificial ora dominador e paternalista, mas, com raríssimas exceções, não transmitiram a mesma visão missionária para as igrejas autóctones. Assim, deixaram a impressão de que missões e coisa que o Brasil recebe e não faz.
Tal imagem não pode ser bíblica. A igreja que não for missionária não pode ser igreja, pois nega a razão da sua existência (1 Pedro, 2.9-10). Por isso, a igreja n que não for missionária, logo se torna um campo missionário.
É animadora a observação de que em 1982, agências missionárias do Terceiro Mundo já enviaram 15.000 missionário em comparação com os 17.000 enviados pelas três principais entidades missionárias norte-americanas. Acredito que, à medida que a desconfiança do norte-americano e do europeu cresça no Terceiro Mundo, por razões justas ou não, a importância urgente de missionários do Terceiro Mundo vai criar um despertamento desta vocação, que terá como resultado a liderança das igrejas do Terceiro Mundo no avanço da evangelização mundial. 
Segundo mito vem dos “pessimistas” que advertem: o Brasil não tem recursos para missões no exterior. Também este mito é culpa, em parte, dos próprios missionários estrangeiros no Brasil. Através da sua administração financeira exorbitante e freqüentemente acima dos padrões financeiros da igreja autóctone, dão a impressão de que precisa-se de grandes recursos financeiros para se fazer missões.
Mas isto não é a verdade. A igreja primitiva de Jerusalém, a igreja-mãe do movimento cristão nascente, era pobre quando lançou o trabalho missionário. A igreja de Tessalônica tinha poucos recursos financeiros que não podia arcar com a as despesas de Paulo durante seu ministério lá (1 Tessalonicenses, 2.9). Mesmo assim, realizou um trabalho missionário que repercutiu por regiões bem extensas (1.8).
Os exemplos continuam hoje. Entre os Karen, um povo tribal na Birmânia, as donas de casa separam um punhado de arroz cada dia e oram simultaneamente pela evangelização de outros povos na Birmânia e na Índia. No final de cada semana, este arroz é vendido no mercado e o dinheiro enviado para missionários Karen evangelizando outros povos.
Os cristãos na Nigéria também estão to. ativamente empenhados na evangelização de tribos vizinhas, e têm pouquíssimos recursos financeiros. Até mesmo no Brasil, existem tribos indígenas aonde os convertidos evangelizam outras tribos de outras línguas e não dependem de muitos recursos financeiros.
Precisamos ser corajosos e criativos  na organização financeira do trabalho missionário, antes de tudo bíblicos, se depender de modelos financeiros exorbitantes e não-realizáveis.
Finalmente, observamos mais u mito sobre missões, o mito dos "calculadores". É o seguinte: se planejarmos o suficiente e aprendermos muita missiólogia, venceremos os problemas do passado e te- remos grande êxito. Felizmente, há um interesse crescente no Brasil pelo estudo de missões, a missiólogia, e isto, eu creio, deve preencher uma grande lacuna. Este desenvolvimento recente poderá ser uma tremenda contribuição ao preparo missionário. Também poderá deslocar os preparandos da dependência do poder de Deus através de oração e da dependência. do Espírito Santo para direção.
Paulo, o primeiro missiólogo e estrategista, reconhecia esta necessidade e resumiu todo seu trabalho missionário da seguinte maneira:
"... para conduzir os gentios à obediência, por palavra e por obras, por força de sinais de prodígios, pelo poder do Espírito Santo; de maneira que, desde Jerusalém e circunvizinhanças, até ao Ilírico, tenho divulgado o evangelho de Cristo" Sua pregação consistia em "demonstração do Espírito e de poder" (1 Coríntios, 2.4, Atos, 19.9-12).
Um exemplo marcante desta dependência é o caso dos morávios do século -18, da Bavária, na Europa Central. Este grupo cristão pequeno iniciou uma vigília de oração que durou mais de 100 anos! E durante 28 anos, eles enviaram mais missionários (para Groenlândia, América do Norte, o Caribe, a África e a Ásia!) que todas as outras igrejas protestantes e anglicanas nos dois séculos de- pois da Reforma Protestante! Eram fruto de oração e dependência do Espírito Santo.
Concluímos nossa reflexão com o seguinte desafio e repensamento dos muitos elaborados: Nossa meta deve ser: não onde Cristo já foi anunciado. Nosso preparo deve ser o melhor. E nosso envolvimento deve ser a igreja brasileira comprometida e dependente do Espírito Santo.
Timóteo Carriker é professor de Teologia Bíblica de Missão, Panorama do Cristianismo Mundial, Antropologia Missionária e Crescimento da Igreja, no Centro Evangélico de Missões. Esta mensagem foi proferida por ocasião do culto de abertura das aulas do CEM, em março deste ano.