terça-feira, 13 de maio de 2014

O JESUS HISTÓRICO - Por Otto Borchert

Aspectos dos dons intelectuais de Jesus, mencionados pelo escritor Otto Borchert em uma obra sua sob o título – O Jesus Histórico:

“Treitschke, o admirável erudito da história mundial, certa vez disse a respeito de Frederico, o Grande: ‘Finalmente , ele recebeu do destino aquele favor que até o gênio precisa merecer, se deseja deixar a impressão do seu espírito sobre a sua época – a boa fortuna de viver a sua vida até uma idade avançada.’ Goethe também experimentou esta boa fortuna. A Jesus foi negada esta vantagem; não obstante, Ele deixou as Suas marcas, não apenas em uma época, mas em toda a história.
“Conhecemos outro filósofo ou fundador de religiões que tenha sido capaz de criar uma escola tão importante como Jesus e em tempo tão curto? Os Seus discípulos estavam animados por um espírito singular ; e Ele ocasionou essa transformação em homens que eram nada mais que pescadores, ou coisa semelhante.
“Maomé teve vinte e dois anos para trabalhar; Buda teve quarenta e cinco anos. Jesus trabalhou pouco menos de três anos, morrendo logo depois de completar trinta anos (Lc 3.23). Não obstante a curta vida desse Homem, Ele difundiu pelos séculos influências tão estupendas, que até humanamente falando, nenhum outro homem pode ser colocado na mesma categoria com Ele. Nenhum outro personagem histórico teve influência que mesmo de longe se comparasse com a dEle.
“Como orador público Jesus é inimitável. As pessoas eram arrebatadas pelas Suas palavras. Até os soldados enviados pelo sumo sacerdote para prendê-lO ficaram extasiados quando ouviram-nO falar, e voltaram sem terem cumprido a sua tarefa, dizendo: ‘Jamais alguém falou como este homem’ (Jo 7:46). Algumas vezes aconteceu que milhares de pessoas se ajuntaram para ouvi-lO, ‘ao ponto de uns aos outros se atropelarem’ (Lc12.1). Milhares ficaram com Ele no deserto dias a frio, tão fascinadas pelas Suas palavras que se esqueceram da fome e da sede (Mc 8:2).
“Juntamente com o Seu poder de oratória popular e de didática, precisamos mencionar um terceiro dom, o de conversação individual com as mais diversas pessoas. Que mestre era Jesus neste campo! Em Sua conversa com a mulher junto ao poço não há subterfúgios (Jo 4); nem com Nicodemos que veio procurá-lO de noite (Jo 3 ), nem com o jovem rico que o abordou na rua (Mc 10:17) . Ele relacionou-Se com as pessoas da maneira como as achou. Ele sabia como tomar o último assunto como ponto de partida, e como um magistral golpe de direção, levar os pensamentos dos Seus ouvintes para o mais importante dentre todos os assuntos (Jo 4:7ss).


“ A mente de Jesus é muito abrangente. Quase todas as ciências podem contá-lO entre os seus notáveis. O psicólogo precisa olhá-lo com respeito, pois nunca houve um homem que conhecia os seus semelhantes como Ele, ninguém jamais estimulou de maneira tão justa a natureza humana, ou podia ler a alma humana com tanta facilidade, sem errar. Tão somente precisamos pensar na magistral descrição do coração humano feita na parábola do semeador e as diferentes espécies de solo (Mt 13:3ss.; 19ss.); ou na percepção acerca da alma humana demonstrada no incidente da oferta da viúva (Mc 12.41). Pela primeira vez , também, os olhos dos homens foram abertos para a natureza da criança. Até então as crianças haviam sido consideradas como objetos – ou algumas vezes, coisa pior (I Co 6.9).
“Porém, não apenas os psicólogos, mas também os pedagogos podem aprender de Jesus. Podem aprender dEle como compartilhar instrução mediante o uso de ilustrações (Mt 18:2; 22:19s.); como tomar um objeto acessível e relacioná-lo com outro inacessível (Jo 4:7,10); como, com um pouco de destreza, pode-se despertar a atenção dos ouvintes (Jo :8:6) ; e como fazer o interrogador responder às suas próprias perguntas (Lc 10.29,36). Podem aprender como reter do principiante coisas que são demasiadas, novas e estranhas, e como ele pode ser levado a encontrar muita coisa por si mesmo. Refiro-me aqui, particularmente, às reservas que Jesus demonstrou ao testificar acerca de Si mesmo. Na quinta petição da Oração Dominical – pelo menos na forma apresentada por Mateus – Jesus nos mostra um golpe de mestre pedagógico sem paralelo (Mt 6:12, de acordo com seus melhores manuscritos). Ele nos ensina a orar: ‘Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós
temos perdoado aos nossos devedores.’
“Não apenas o psicólogo e o pedagogo, mas o naturalista também pode aprender de Jesus e ser-lhe grato. Que olho clínico tinha Ele para as belezas da natureza! Uma sentença como ‘Considerai como crescem os lírios do campo... nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como
qualquer deles’ (Mt 6:29) mostra-nos como Ele estava adiantado em relação à Sua época, a este respeito. Não há palavras no mundo inteiro, tão cheias de apreciação pela natureza como estas.”
(BORCHERT, Otto.O Jesus Histórico, p. 147,149,151,156)

2 comentários:

  1. Alguém já ouviu falar de uma Iemanjá histórica? Não? Claro, não faz o menor sentido. Então por que o Jesus histórico faz? O que já foi feito para dar sentido a essa crença é de dar medo.

    “A verdade histórica é a mais ideológica de todas as verdades científicas [...]Os termos de subjetivo e de objetivo já não significam nada de preciso desde o triunfo da consciência aberta [...]. A verdade histórica não é uma verdade subjetiva, mas sim uma verdade ideológica, ligada a um conhecimento partidário”. (ARON cit. por Marrou, s/ data, p. 269)

    Se a fé nunca dependeu da história, porque fazem tanta questão desta última? Por que insistem em preservar essa bruma que envolve os primeiros séculos do cristianismo? Não devia ser assim. No entanto, quando fazemos uma aproximação dos fatos com fatos e não com ideias, é possível outra conclusão.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

    ResponderExcluir
  2. Alguém já ouviu falar de uma Iemanjá histórica? Não? Claro, não faz o menor sentido. Então por que o Jesus histórico faz? O que já foi feito para dar sentido a essa crença é de dar medo.

    “A verdade histórica é a mais ideológica de todas as verdades científicas [...]Os termos de subjetivo e de objetivo já não significam nada de preciso desde o triunfo da consciência aberta [...]. A verdade histórica não é uma verdade subjetiva, mas sim uma verdade ideológica, ligada a um conhecimento partidário”. (ARON cit. por Marrou, s/ data, p. 269)

    Se a fé nunca dependeu da história, porque fazem tanta questão desta última? Por que insistem em preservar essa bruma que envolve os primeiros séculos do cristianismo? Não devia ser assim. No entanto, quando fazemos uma aproximação dos fatos com fatos e não com ideias, é possível outra conclusão.

    http://cafehistoria.ning.com/profiles/blogs/paguei-pra-ver

    ResponderExcluir