quinta-feira, 26 de julho de 2012

O SEGREDO DE JORGE MULLER - Reflexão

Alguém perguntou a Jorge Muller qual era o segredo de servir a Deus, e ele deu a seguinte resposta: "Houve um dia em que morri totalmente para Jorge Muller", explicou, inclinando-se para diante e quase se encostando ao chão. "Morri para as opiniões dele, para suas preferências, seus gostos e sua vontade. Morri para o mundo, para sua crítica e seus louvores. Morri até para os elogios e as acusações de meus irmãos e amigos. De lá para cá, tenho estudado para estar aprovado somente por Deus". (Lettie Cowman)

sábado, 14 de julho de 2012

Orgulho Espiritual - Reflexão

Por Jonathan Edwards

A primeira e a pior causa do erro que prevalece em nossos dias é o orgulho espiritual. Ele é a porta principal através da qual o diabo influi no coração daqueles que são zelosos pelo avanço do reino de Cristo. O orgulho espiritual é a maior porta de acesso da fumaça que sobe do abismo para obscurecer a mente e perverter a capacidade de julgar, bem como é o principal instrumento com o qual Satanás assalta os crentes, a fim de obstruir a obra de Deus. Até que essa enfermidade seja curada, os remédios para curar todas as outras enfermidades são aplicados em vão.

O orgulho é muito mais difícil de ser discernido do que qualquer outra corrupção, porque, por natureza, o orgulho equivale a uma pessoa alimentar pensamentos elevados a respeito de si mesma. Existe alguma surpresa no fato de que uma pessoa que possui pensamentos muito elevados a respeito de si mesma seja inconsciente do orgulho? Ela acha que sua opinião a respeito de si mesma tem fundamentos corretos e, por conseguinte, supõe que essa opinião não é muito elevada. Como resultado, não existe outro assunto em que o coração humano se mostra mais enganoso e impenetrável. A própria natureza do orgulho consiste em desenvolver autoconfiança e rejeitar qualquer suspeita de que, em si mesmo, o coração é mau.

O orgulho assume muitas formas e moldes, envolvendo todo o coração, como as cascas da cebola — quando você remove uma casca da cebola, existe outra por baixo. Portanto, precisamos ter a mais intensa vigilância possível sobre nosso coração, no que se refere a este assunto, e, com profundo ardor, clamar por ajuda ao grande Perscrutador dos corações. Aquele que confia em seu próprio coração é um tolo.

Visto que o orgulho espiritual, por sua própria natureza, é secreto, ele não pode ser bem discernido pela intuição imediata. O orgulho espiritual é melhor identificado por seus frutos e efeitos, alguns dos quais mencionarei em paralelo aos frutos contrários da humildade cristã.

A pessoa espiritualmente orgulhosa se considera cheia de entendimento e sente que não precisa de qualquer instrução; por isso, ela se mostra pronta a rejeitar o ensino que outros lhe oferecem. Por outro lado, o crente humilde é semelhante a uma criança que facilmente recebe instrução; é cauteloso em sua avaliação de si mesmo e sensível a respeito de como está sujeito a tropeçar. Se lhe for sugerido que ele realmente está sujeito a tropeçar, com muita prontidão o crente humilde estará disposto a inquirir sobre o assunto.

Pessoas orgulhosas tendem a falar sobre os pecados dos outros, ou seja, sobre a miserável ilusão dos hipócritas, sobre a indiferença de alguns crentes que sentem amargura ou sobre a oposição que muitos crentes demonstram para com a santidade. A verdadeira humildade cristã fica em silêncio no que se refere aos pecados dos outros ou fala sobre eles com tristeza e piedade.

A pessoa espiritualmente orgulhosa encontra nos outros crentes o erro de falta de progresso na vida cristã, enquanto o crente humilde vê muitos erros em seu próprio coração e se preocupa, a fim de que ele mesmo não se veja inclinado a ocupar-se demais com o coração dos outros. Ele lamenta muito por si mesmo e por sua frieza espiritual, esperando prontamente que muitas outras pessoas tenham mais amor e gratidão a Deus, mais do que ele mesmo.

A pessoa espiritualmente orgulhosa fala sobre quase tudo que percebe nos outros, fazendo-o com grosseria e com uma linguagem bastante severa. Em geral, a crítica de tais pessoas se dirige não apenas contra a impiedade dos incrédulos, mas também contra os verdadeiros filhos de Deus e contra aqueles que são seus superiores. Os crentes humildes, por sua vez, mesmo quando fazem extraordinárias descobertas da glória de Deus, sentem-se esmagados por sua própria vileza e pecaminosidade. As exortações deles para os outros crentes são ministradas de maneira amável e humilde; e tratam os outros com tanta humildade e gentileza quanto o Senhor Jesus, que é infinitamente superior a eles, os trata.

O orgulho espiritual com freqüência dispõe a pessoa a agir de maneira diferente em sua aparência exterior e a assumir uma linguagem, semblante e comportamento diferentes. No entanto, o crente humilde, embora se mostre firme em seus deveres e prossiga sozinho no caminho do céu, mesmo que todo o mundo o abandone, ele não se deleita em ser diferente apenas por amor à diferença. O crente humilde não estabelece como objetivo primordial o ser visto e observado como alguém diferente; pelo contrário, ele está disposto a tornar-se tudo para todos os homens, sujeitar-se aos outros, conformar-se a eles e agradá-los em tudo, exceto no pecado.

As pessoas orgulhosas levam em conta as oposições e injúrias, estando dispostas a falar sobre elas em tom de amargura e murmuração. A humildade cristã, por outro lado, dispõe a pessoa a ser mais semelhante ao seu bendito Senhor, que, ao ser maltratado, não abriu a sua boca, mas entregou-se silenciosamente Àquele que julga retamente. Para o crente humilde, quanto mais clamoroso e irado o mundo se mostra com ele, tanto mais quieto e tranqüilo ele permanecerá.

Outro padrão das pessoas espiritualmente orgulhosas é comportarem-se de maneira que levem os outros a fazerem delas seu alvo. É natural para uma pessoa que está sob a influência do orgulho aceitar toda a reverência que lhe tributam. Se os outros mostram disposição para submeterem-se a ela e sujeitarem-se em deferência a ela, a pessoa espiritualmente orgulhosa está aberta para esta sujeição, aceitando-a espontaneamente. Na verdade, aqueles que são espiritualmente orgulhosos esperam esse tipo de tratamento, formando uma opinião pervertida sobre aqueles que não lhe oferecem aquilo que eles sentem que merecem.

Fonte: [ Trovian ] Extraído do site Bereianos - Apologética Cristã Reformada
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segunda-feira, 2 de julho de 2012

Sábado ou domingo?

Pergunta: "É mesmo verdade que devemos guardar o sábado? Volta e meia, cristãos que amam o Senhor Jesus querem me convencer a santificar o sábado ao Senhor, e não o domingo. Tenho dificuldades em ver as coisas dessa forma, mas gostaria de saber mais a respeito do que a Bíblia diz sobre esse tema".

Resposta: Também podemos fazer essa pergunta de outra forma: vivemos hoje sob a lei do Antigo Testamento, ou seja, do sinal de Deus para Israel, ou sob a graça em Jesus Cristo? Essa - creio eu - é a melhor resposta para sua dúvida, pois tanto você quanto seus conhecidos testemunham ser filhos de Deus. Êxodo 31. 13-17 mostra de forma repetida e inequívoca que o sábado era um sinal para Israel: "Tu, pois, falarás aos filhos de Israel e lhe dirás: Certamente, guardareis os meus sábados; pois é sinal entre mim e vós nas vossas gerações; para saibais que eu sou o SENHOR, que vos santifica. Portanto, guardareis o sábado, porque é santo para vós outros; aquele que o profanar morrerá; pois qualquer que nele fizer alguma obra será eliminado do meio do seu povo. Seis dias se trabalhará, porém o sétimo dia é o sábado do repouso solene, santo ao SENHOR; qualquer que no dia do sábado fizer alguma obra morrerá. Pelo que os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando-o por aliança perpétua nas suas gerações. Entre mim e os filhos de Israel é sinal para sempre; porque, em seis dias, fez o SENHOR os céus e a terra, e, ao sétimo dia, descansou, e tomou alento".

Sem dúvida, a questão se o crente em Jesus Cristo deveria guardar o sábado era extremamente atual na igreja primitiva, composta na maior parte por judeus. Afinal, eles precisavam refletir sobra a fé e a tradição religiosa que cultivavam até então. Ainda assim, o sábado o mesmo valor que os religiosos de Seu tempo (Jo 5.8ss. ; Jo 7.23; Jo 9.14ss.). Em nenhum momento as cartas doutrinárias do Novo Testamento indicam ou insinuam que devemos guardar o sábado. Em vez disso, o primeiro dia da semana judaica, ou seja, o domingo, assume uma posição importante.

Por exemplo, Jesus ressuscitou no primeiro dia da semana, e também era nesse dia que as primeiras igrejas se reuniam.

"No findar do sábado, ao entrar o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro" (Mt 28.1). Mas a sepultura estava vazia! A ressurreição de Cristo havia dado início a algo totalmente novo.

Ao cair da tarde daquele dia, o primeiro dia da semana, trancadas as portas da casa onde estavam os discípulos com medo dos judeus, veio Jesus, pôs-se no meio e disse-lhes: Paz seja convosco!" (Jo 20.19).

"No primeiro dia da semana, estando nós reunidos com o fim de partir o pão, Paulo, que devia seguir viagem no dia imediato, exortava-os..." (At 20.7).

Paulo deu orientações expressas aos coríntios a respeito do que deveriam fazer nesse primeiro dia da semana, cada um de vós ponha de parte, em casa, conforme a sua prosperidade, e vá juntando, para que se não façam coletas quando eu for" (1 Co 16.2).

Quando Paulo e Barnabé relataram sua viagem missionária, apareceram alguns fariseus que havem se convertido ao Senhor Jesus. Eles ainda se apegavam à tradição e achavam que os gentios também deveriam ser circuncidados e obedecer à lei de Moisés. Assim, o primeiro concílio dos apóstolos enfrentou um debate de princípios (At 17.7) com o seguinte resultado: "...não devemos perturbar aqueles que, dentre os gentios, se convertem a Deus, mas escrever-lhes que se abstenham das contaminações dos ídolos, bem como das relações sexuais ilícitas, da carne de animais sufocados e do sangue" (At 15.19-20). Não lemos nenhuma palavra a respeito do sábado!

Quem pensa que deve guardar o sábado deve estudar a Epístola aos Gálatas, especialmente os versículos 4.10-11 e 5,3. É possível que a defesa do sábado também esteja a um desejo - talvez inconsciente - de completar a obra de redenção perfeita e suficiente de Jesus Cristo com alguma ação própria. Isso seria trágico, pois o texto continua: "De Cristo vos desligastes, vós que procurais justificar-vos na lei, da graça decaístes" (Gl 5.4).

Além disso, o Novo Testamento se refere a nove dos Dez Mandamentos de Deus, mas não ao mandamento de guardar o sábado! Portanto, não há nenhum texto no Novo Testamento que diga que os membros da Igreja de Jesus dentre os gentios devem guardar o sábado. Os adventistas podem argumentar: "Mas os Dez Mandamentos mostram que devemos guardar o sábado"! É verdade, mas Mateus 12.8 diz expressamente: "Porque o Filho do Homem é senhor do sábado".

Por isso: "Ninguém, pois, vos julgue por causa de comida e bebida, ou dia de festa, ou lua nova, ou sábados, porque tudo isso tem sido sombra das coisas que haviam de vir; porém o corpo é de Cristo" (Cl 2.16-17). (Elsbeth Vetsch)

Fonte: Chamada da Meia-Noite, outubro de 2006, p. 26.