segunda-feira, 9 de abril de 2012

Remadores do Último Porão - Reflexão


O escritor José Rodrigues, em seu livro A Ação da Cruz, salienta de forma emocionante o perfil de um escravo do último porão na época do Império Romano. Vejamos um sucinto comentário feito a seguir pelo Pastor J. Rodrigues:

A língua grega apresenta pelo três variantes para palavra servo, ou, originalmente falando, escravo. Uma delas é a palavra upêdêtê. A que classe pertencia este tipo de escravo? Os “upêdêtês” faziam parte de uma classe de escravos condenados à morte pelo Império Romano. A sentença para esses condenados era de que deveriam remar até à morte. Estes escravos chamados também de “remadores do último porão”.

“Porque a mim me parece que Deus nos pôs a nós, os apóstolos, em último lugar, com se fôssemos condenados à morte; porque nos tornamos espetáculo ao mundo, tanto a anjos, como a homens”. (1 Coríntios 4.9)

Você pode imaginar qual palavra grega o apóstolo utiliza para empregar o termo “ultimo lugar” neste texto? O termo utilizado ali é exatamente a palavra upêdêtê, “escravo do último porão”.

Como podemos ver, o apóstolo Paulo, de alguma forma, está se comparando àquele escravos das profundezas dos navios mercantes. Tal comparação torna-se mais evidente, quando lemos o restante do verso e notamos o termo como se fossemos condenados à morte. Com essas duas citações, Paulo não poderia estar pensando em mais nada, a não ser naqueles escravos condenados à morte. Além disso, a palavra espetáculo nos dá mais indicações. Em Roma, para diversão do povo, os escravos obrigados a participar dos jogos, onde deveriam lutar com gladiadores até a morte. Em tais confrontos, existia apenas uma com vida. Para os romanos, nenhum espetáculo era mais animador do que ver a cabeça de um condenado rolar pela arena após um combate mortal. Por tudo isso, Paulo escreve pensando naqueles escravos.

Escravo não deve viver em busca de elogios ou agradecimentos; escravo é escravo. Sua vida resumi-se em diminuir em favor do crescimento de Cristo. Esta é a filosofia da cruz, consequentemente, o caminho da glória eterna. Assim agem os verdadeiros servos: não fazem questão de serem vistos ou de terem seus nomes citados. Talvez os atos desses homens nunca serão reconhecidos. Mas, nas galerias celestiais, eles brilharão como o sol na força do meio dia. (Ler Jo 3.30; Sl 115.1).


No serviço do Mestre, Sandro Gomes. E-mail: prsandrogomes@ig.com.br

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